quarta-feira, 24 de agosto de 2011

De Sartre a Spock , uma Jornada para Liberdade

No dia 23/08 participei de uma mesa de debates na Faculdade Wittenberg sobre o filme Amazing Grace, que em português chama-se Jornada para Liberdade.

O filme trata da história verídica do submundo da política Britânica para que fosse aprovada a emenda abolicionista na Inglaterra. O grande personagem é o deputado William Wilberforce. Sua luta começou por volta de 1787 , e ele enfrentou todas as dificuldades possíveis e imagináveis. Wilberforce foi chamado de antipatriota, de inimigo da coroa britânica, de entreguista, pois os ingleses consideravam a escravidão um mal necessário. Apesar de desumana, ele achavam que a ruína econômica viria se acabassem com a escravidão.

Interessante, porque o abolicionismo também estava despertando no resto do mundo. Nos EUA , a Guerra de Secessão consistiu na luta entre os Confederados do Sul latifundiário, aristocrata e defensor da escravidão, contra o Norte industrializado. A guerra começou mesmo em 1861, quando 11 Estados escravagistas declararam secessão da União, e criaram um novo país, os Estados Confederados da América.

Interessante que o próprio Benjamin Franklin usou de modelos matemáticos para respaldar os estados da União, atestando que o escravo livre , inserido no mercado consumidor gerava mais riqueza do que quando estava escravizado colhendo algodão numa fazenda do sul.

Morreu muita gente nessa guerra! O preço da liberdade é sempre caro. Mas liberdade para servir a quem e com qual propósito?

Se o existencialismo de acordo Jean Paul Sartre pode ser definido como a liberdade inerente a existência sem entrar no mérito da essência, precisamos achar um sentido para a vida.

O antigo e famoso comercial das calças US-TOP, falava que Liberdade era uma calça velha, azul e desbotada? Será mesmo?

Interessante mesmo é que a Torá é abolicionista na sua essência e simultaneamente deixa claro que o poder não é um vácuo.

Em Dt 23:15 está escrito: "Se um escravo refugiar-se entre vocês, não o entreguem nas mãos do seu senhor".

Perfeito, não há duvidas que liberdade é um direito. Mas preste atenção , não existe um vazio existencialista , alguém vai ter que servir a alguém, nem que isso te traga destruição.
O processo abolicionista no Brasil comprova isso. Até a Princesa Isabel declarar a Lei Áurea, tivemos leis como a Lei do Sexagenário e Lei do Ventre Livre.

Hoje em dia o sexagenário pós-moderno, se liberta de ter que pagar a passagem obrigatória no transporte publico mas no passado ele se libertava do patrão. Mas convenhamos, após os 60 , tendo vivido uma vida miserável , insalubre , não sobrava muita coisa. Para o patrão, a liberdade do escravo idoso era um alivio já que ele praticamente não estava mais inserido numa vida produtiva e portanto essa Lei era um atestado de óbito porque o tornava descartável. E o recém nascido do ventre livre? Que coisa linda né, tão existencialista que essas crianças morriam de fome, pois o patrão não tinha mais interesse nelas, já que não eram mais sua propriedade. Para que gastar dinheiro com remédio, comida e moradia? Morriam mesmo... cruel mundo existencialista!

A liberdade para os Hebreus foi na verdade um processo de transferência de submissão , onde saía de cena o Faraó escravagista e existencialista para entrar em cena o Deus de Israel que explica que a nossa essência é uma obediência voluntaria a ele para nosso beneficio.

Se você não serve voluntariamente ao Deus que se apresenta como EU SOU (me desculpe Sartre , mas esse sim EXISTE) , então você voltou para a jurisdição do Faraó porque não existe vácuo de poder.

Até o Capitão Kirk e o comandante Spock da nave "USS Enterprise" da série Star Trek sabiam bem que “zona neutra” é uma ficção cientifica entre o Império Klingon e a Federação Interestelar.

Que liberdade é essa que todos querem? Busque a sua essência , afinal a vida é uma Jornada para a Liberdade.

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